segunda-feira, julho 31, 2006

Eleito, Eu?

Fazendo uma análise real de quem eu sou, vejo um homem miserável, pecador, pequeno...Por outro lado, vejo a santidade, perfeição, e soberania de Deus, contudo há um contraste nisso, pois mesmo com todas essas imperfeições, o Senhor tem derramado tantas benções sobre minha vida, hoje tenho o privilégio de ser membro de uma igreja que está cada dia mais firmada na Palavra de Deus, lá eu tenho a oportunidade de aprender e ensinar, servir e ser servido, amar e ser amado...Tenho um bom trabalho, estudo o que gosto, em um dos melhores seminários, tenho verdadeiros amigos, família, saúde, namorada, e o melhor de tudo: A eleição para salvação, conquistada e perpetuada por Cristo na Cruz, essa ninguém tasca.

Porém diante disso vejo que minhas atitudes nem sempre são de louvores a Deus, pelo contrário, não tenho retribuído nem um terço da demonstração do amor de Deus pela minha vida. Ao ler e re-ler a bíblia, em cada capítulo vejo a minha história sendo escrita, pois tanto eu como você fazemos parte dessa história. Todavia, só fazemos parte dessa história, porque Deus desde a fundação do mundo nos elegeu independente de nossos atos ou atitudes, ou seja, isso não é mérito meu, nem seu, e sim de Deus. Se fomos eleitos, não é por mérito nosso, e sim pela graça de Deus, isso não envolve nenhum direito de escolha, nem mesmo a possibilidade de Deus aceitar algum tipo de barganha, como: “farei boas obras”, “serei fiel”, “não vou matar, roubar, assim garanto meu ingresso no céu”, sabemos que as coisas não funcionam desse jeito. Pessoas que pensam assim, geralmente têm a seguinte linha de raciocínio:

“A escolha divina de certos indivíduos para a salvação, antes da fundação do mundo, foi baseada na Sua previsão (presciência) de que eles responderiam à Sua chamada (fé prevista). Deus selecionou apenas aqueles que Ele sabia que iriam, livremente e por si mesmos, crer no evangelho. A eleição, portanto, foi determinada ou condicionada pelo que o homem iria fazer. A fé que Deus previu e sobre a qual Ele baseou a Sua escolha não foi dada ao pecador por Deus (não foi criada pelo poder regenerador do Espírito Santo), mas resultou tão somente da vontade do homem. Foi deixado inteiramente ao arbítrio do homem o decidir quem creria e, por conseguinte, quem seria eleito para a salvação. Deus escolheu aqueles que Ele sabia que iriam, de sua livre vontade, escolher a Cristo. Assim, a causa última da salvação não é a escolha que Deus faz do pecador, mas a escolha que o pecador faz de Cristo.” Idéias Arminianista.

Contudo cremos, e sabemos que fomos eleitos pela graça:

“A escolha divina de certos indivíduos para a salvação, antes da fundação do mundo, repousou tão somente na Sua soberana vontade. A escolha de determinados pecadores feita por Deus não foi baseada em qualquer resposta ou obediência prevista da parte destes, tal como fé ou arrependimento. Pelo contrário, é Deus quem dá a fé e o arrependimento a cada pessoa a quem Ele escolheu. Esses atos são o resultado e não a causa da escolha divina. A eleição, portanto, não foi determinada nem condicionada por qualquer qualidade ou ato previsto no homem. Aqueles a quem Deus soberanamente elegeu, Ele os traz, através do poder do Espírito, a uma voluntária aceitação de Cristo. Desta forma, a causa última da salvação não é a escolha que o pecador faz de Cristo, mas a escolha que Deus faz do pecador.” Verdades Calvinistas 1

É fato que a doutrina da eleição não é uma das mais fáceis de ser interpretada, vejamos alguns textos bíblicos que nos ajudarão a entender esse tema de uma forma mais clara.

“Não fostes vós que escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vos outros”
Jo. 15:16

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis perante ele, e em amor, nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade para louvor da glória de sua graça que ele nos concedeu gratuitamente no amado .” Ef. 1:3-6

“Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o principio para salvação, pela santificação do espírito e a fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançares a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.” 2 Ts. 2:13-14

“Como toda a verdade a respeito de Deus, a doutrina da eleição envolve mistério e, às vezes, levanta controvérsia. Porém, nas Escrituras, é uma doutrina pastoral, que ajuda os cristãos a verem quão grande é a graça que os salva e os move a responder com humildade, confiança e louvor. Não sabemos quais os outros que Deus escolheu entre os que ainda não são crentes, nem por que ele nos escolheu, especificamente. Sabemos apenas que, se somos crentes agora, é porque fomos escolhidos. Também sabemos que, como crentes, podemos confiar em que Deus acabará a boa obra que começou (1Co 1.8-9; Fp 1.6; 1Ts 5.23-24; 2Tm 1.2; 4.18).” Por essas razões, o conhecimento da eleição é uma fonte de gratidão e confiança.”2


Muitos dizem que a doutrina da eleição é injusta, ou então que deixa o homem acomodado, contudo aquele que realmente crê em Deus e o serve, confia e respeita a soberania de Deus, e ao invés de ficar acomodado com seus delitos e pecados, busca dia após dias ser mais santo, pois um dos frutos da eleição sem dúvidas e a santificação dos eleitos. Poderia escrever páginas e páginas sobre esse tema tão importante, porém encerro essa breve reflexão com um comentário de Santo Agostinho:

“Pergunto: quem ouvir o Senhor, que diz: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi, terá atrevimento de dizer que os homens têm fé para ser escolhidos, quando a verdade é que são escolhidos para crer? A não ser que se ponham contra a sentença da Verdade e digam que escolheram antes a Cristo aqueles aos quais ele disse: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi”3.

1.(Trecho da Tradução livre e adaptada do livro The Five Points of Calvinism - Defined, Defended, Documented, de David N. Steele e Curtis C. Thomas, Partes I e II, [Presbyterian & Reformed Publishing Co, Phillipsburg, NJ, USA.], feita por João Alves dos Santos)
2.Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 1333.
3.Fonte: A GRAÇA II, Editora PAULUS.

4 comentários:

Vinícius Cássio disse...

oi Samir ...
pulei direto de um texto pro outro! ... este está mais claro e fácil de se entender ...
Quanto à retribuição com nossas vidas do que Deus faz por nós ... realmente, é muito falha ... precisamos melhorar a cada dia, com a ajuda dEle, se entregando em dependência ...
Quanto à predestinação, é difícil realmente ... mas a Bíblia é clara (como vc mostrou com as citações). Quanto a uma possível "acomodação" que poderia surgir com isso, a Bíblia também é clara: se Deus nos salva, começa o processo de santificação, fruto do Espírito Santo que passa a habitar em nós ... e o fruto dEle é "amor, alegrias, paz, .... (não-pecado)".
De tudo isso, o mais difícil (falo de mim) é aplicar toda a teoria e conhecimento na pratica diária ... é mto difícil e isso nos entristece mtas vezes ... dai entra o começo do texto ... Deus nos dá ambientes maravilhosos, uma família excepcional, amigos igualmente essenciais ... todos como instrumentos de Deus para nos ir melhorando cada dia ...
(bem, como disse no anterior, explicar esses pensamentos e sentimentos é tarefa mto mto difícil...)
grande abraço e ótima semana! ...
com carinho, Vinícius

Samir Mesquita disse...

Hei mano, mais uma vez obrigado pela presença. O texto atual é do Tiago. hehehe Ficou claro e sem enrolações. Diferente do anterior como você mesmo observou. Acho que pela cobrança em postar algo, acabei dificultando o processo de clareza. Mas isso é normal, acontece. hehhe!
Um abraço!

Tiago Gonçalves disse...

Viny

Para mim foi muito edificante escrever esse texto, estava com ele na cabeça há muito tempo, porém faltava colocá-lo no papel, ou melhor, no Word...rs...rs...Gostaria de ter escrito muito mais, nossa, tantas coisas passam pela minha cabeça, porém não queria deixar o texto muito extenso. A eleição deve ser motivo de louvor para o crente, e a reposta para isso deve ser a nossa santificação dia após dia....Obrigado pela sua presença e testemunho.
Esse Samir sempre modesto...Abraço mano!

Vinícius Cássio disse...

hehehehhehehehe! :P

;)